A arte de dizer não

Confesso que o não de hoje para a Letícia foi uma dos mais dramáticos, ela acordou com a ideia de "eu quero um celular, porque todos os meus amigos tem e eu não" a simples ideia de que mas você não é todo mundo hoje não bastou. Mas me mantive firme e neguei a todos os argumentos.

Foto: Getty Images
Eu acho que uma criança pode ter celular se ele for necessário, o que não é o caso dela afinal de contas:

1) ela não sai sozinha;
2) ela não fica sozinha;
3) as atividades dela sempre são supervisionadas por algum adulto conhecido;
4) ela vai e volta da escola com um transporte particular contratado por mim e de minha confiança;
5) quando tem alguma atividade extra na escola sempre tem alguém que eu conheça e confie ou eu mesma vou pegar ela;
6) quando ela está na escola, ela está na escola e o uso de celular na faixa etária dela é proibido (eu acho que deveria ser para todos os alunos, salvas raras exceções que se provem necessárias);
7) quando ela não está na minha casa comigo ou com minha família, ela está na casa do pai dela e eu tenho todos os contatos;
8) celular não é brinquedo, por mais que possa parecer;
9) celular e internet liberados são um perigo sem supervisão;
10) não tem idade para ter um celular.

Existem milhões de motivos para o não? Sim, milhares.
Existem milhões de motivos para o sim? Sim, milhares.

Mas basicamente eu não vejo a menor lógica em deixar um criança de 8 anos de idade ter um celular pelo simples motivo de que todos os amiguinhos tem! Não existe uma explicação lógica para que ela tenha essa necessidade nessa fase da vida. E um dos argumentos mais fortes foi "o dia em que eu não precisar te lembrar todos os dias de coisas que você tem que fazer todos os dias como: arrumar a cama, deixa o quarto em ordem, tirar o uniforme quando chegar da escola, colocar a mochila no lugar e não deixar jogada no meio da sala, arrumar a mochila da escola antes de ir pra cama, colocar as roupas sujas no cesto de roupas sujas, não sair espalhando pela casa todas as coisas que pegou e levou para outro lugar e outras dezenas de coisas, a gente começa a conversar sobre a possibilidade de você poder ter um celular."

Os tempos mudaram muito da minha infância para a dela, as vezes é bem difícil achar situações e vivências similares quiça iguais e a cada dia parece que se torna ainda mais estranho e difícil viver essa fase que deveria ser a mais fácil, divertida e feliz de todas as fases de nossas vidas.

Por hora, vai jogar com o notebook antigo que depende da tomada para ficar ligado mais de 30 minutos e apenas quando eu estou em casa porque precisa do meu carregador e vai jogar os jogos que ELA ESCOLHEU no MEU celular e fim de papo.

O único eletrônico que eu dei para ela é uma câmera digital que vai completar 2 anos e ela ganhou porque existia explicação lógica para tal e uma necessidade, já que eu e nem meus pais temos câmera digital e no casos dos meus pais eles não tem e nem vem a necessidade em ter um smartphone. Logo, se eu não estou em casa e ela - ou alguém - precisa ou quer fazer uma foto ou um vídeo a câmera que é dela está lá para ser utilizada. E Lelê sendo dona de uma câmera digital mesmo sem ter nenhuma rede social já é viciada em selfies!

E o que eu acho  mais engraçado é que não é falta de opção para brincar e se distrair. Ela tem fácil o quadruplo de brinquedos que eu tive a minha infância toda! Ela tem uma Casa da Barbie linda! Ela tem uma estante cheia de livros! Ela tem um Super Nintendo! Ela tem tv a cabo com canais exibindo desenhos 24h por dia e mesmo que não tivesse ela tem uma boa quantia de dvd's com seus desenhos favoritos! Ela tem uma caixa com dezenas de coisas pra pintar, recortar e massinhas de modelar!

 
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